
O “assunto” fica encerrado quando a empresa liquidar integralmente , com cada um dos trabalhadores, as dívidas em causa e a respectiva Segurança Social, que a Mandala nunca pagou.
MANDALA CONDENADA!
A produtora do Contra-Informação não recorreu da sentença emitida pelo Tribunal do Trabalho de Lisboa. O prazo para contestar a decisão terminou dia 4 de Outubro.
O Tribunal deu como provados os factos alegados pelos trabalhadores, que se encontravam em regime de “recibos verdes”, e portanto considerou como ilícitos os despedimentos levados a cabo pela empresa em 2006.Constatou-se que vigorava entre as partes “(…) um contrato de trabalho sem termo (…)”.
Os ex-manipuladores dos bonecos do célebre programa da RTP1 lutam pela legalidade desde 2005.
A Mandala fica assim condenada :
É de lembrar que estes foram os primeiros 4 processos. Faltam mais 3.
O litígio só terminará quando a empresa liquidar integralmente , com cada um dos trabalhadores, as dívidas em causa e a respectiva Segurança Social, que a Mandala nunca pagou.
Aqui têm a sentença (32 páginas). Omitimos dados pessoais e numerários. processo-mandala-sentenca.pdf



Quem se diverte a ver o Contra-Informação, não sonha a tensão que ia na Mandala (empresa responsável pelo programa) em Fevereiro do ano passado. Pinto da Costa e José Alberto Carvalho, dois dos bonecos que Ricardo Moreno manipulava, também não suspeitavam. Tinham passado uns meses desde que dez manipuladores que ali trabalhavam há anos apresentaram uma carta reivindicativa dos seus direitos. «Os abusos estavam a ser por demais», garante Ricardo. Trabalhou para a Mandala nove anos, desde os 22, sempre a recibos verdes – sem segurança social paga, subsídio de doença, férias ou de Natal. Como ele, todos os colegas. Acrescia que naquela altura, havia muito trabalho extra, e eles eram obrigados a fazê-lo, sob pena de se ser «suspenso oito dias». «A empresa exigia disponibilidade total – de manhã e de tarde», sem contrapartidas. «Cheguei a ser descontado em 50% do ‘cachet’ diário por chegar 3 mn atrasado», denuncia.
O clima «de cortar à faca» que se instalou deu lugar à dispensa dos 8 trabalhadores. «Cheguei a ser convidado pela Mandala para criar uma empresa dentro da empresa, e trabalhar em regime de ‘outsourcing’», conta, naquele que é hoje um dos métodos mais utilizados pelos empregadores para disfarçar necessidades permanentes de pessoas cujos encargos sociais não querem assegurar.
Não é que Ricardo levasse uma vida má, a recibos. «Tinha casa alugada em Cascais, com vista para o mar…» Mas a preocupação com o futuro – «filhos, comprar casa…» – fê-lo tomar uma atitude. «Ali estava eu com 30 anos, uma vida porreira, mas e um dia, se houvesse um azar?», questiona. «As pessoas que estão a recibo verde vivem uma ilusão – são tratadas como burros com uma cenoura à frente…» Hoje, divide uma casa alugada em Carnide com a namorada. Dá aulas de guitarra numa escola em Mafra (é guitarrista da banda Além Mar, que se prepara para regressar ao activo). «Tive de me adaptar». Confessa que vive com ajudas: «Se não fosse a minha família, estava feito ao bife…»
Ele e os oito colegas puseram uma acção em tribunal, que ainda não chegou a um término. Nos meses seguintes à divulgação do assunto, em Novembro de 2005, o director da Mandala, a directora financeira e a produtora demitiram-se. Em Setembro, Ricardo tinha feito uma queixa à Inspecção-Geral de Trabalho, que lá foi dois meses mais tarde e concluiu que havia de facto situações irregulares. A IGT multou a Mandala em €7500. «€7500 pelo trabalho de 8 pessoas a trabalhar 10 anos em situação ilegal…!», revolta-se ele. «Isso é um valor irrisório para uma empresa daquela dimensão!» Assim, o crime compensa. Moreno vai mais longe: «A culpa deste país estar como está em relação aos recibos verdes é da inércia da IGT. Muita gente anda a sugar o futuro desta geração. Não nos dão possibilidade de assentar. Parece que tem de se pagar para se fazer o que se gosta. Portugal está uma nova colónia. Sinto-me um imigrante no meu país. Assim não vamos a lado nenhum.»
A 18 de Junho, no blogue FERVE:
Nos últimos anos, a RTP-Porto tem vindo a recorrer ao serviço de pessoal contratado a recibos verdes, sendo neste momento cerca de 60 pessoas a trabalhar neste regime. Muitas a mais de 6 anos.
Entre 2001 e 2004 a RTP-Porto suspendeu a contratação a rebibos verdes forçando esses trabalhadores a aderir a uma empresa de trabalho temporario chamada Randstad.
Na altura, o director do “Media Parque” (RTP-Porto) era o engenheiro Augusto Azevedo, que saiu antes de acabar o seu “mandato” para dirigir o quê? A Randstad!!!
E de um dia para o outro essa “parceria” acabou e esses trabalhadores voltaram ao regime de recibos verdes sempre a trabalhar na RTP, com um horário, obedecendo a hierarquias, com as mesmas obrigações do pessoal do quadro da RTP mas obviamente sem os mesmo direitos, sendo muitas vezes a emissão da RTP-Porto ( Jornal da Tarde, Praça da Alegria, Portugal no Coração, noticiarios e programas de estúdio da RTPN, Trio d’ataque, desportivos como a “liga dos campeões”, basquet, voleibol, hóquei em patins…etc.) assegurada em 90% ou mais por esses trabalhadores que supostamente estariam lá para “tapar buracos”.
Para tentar fugir à lei de trabalho, esses trabalhadores são contratados para trabalhar 11 dias por mês, o que significaria metade de um mes normal de trabalho para caso os trabalhadores quererem por a RTP em tribunal. A RTP alegaria que só faziam meios meses.
Isto significa que para um mes de trabalho eles contratavam 2 pessoas a onze dias para fazer o trabalho que uma faria em 22.
E o pagamento a esses colaboradores é feito “quando calha” sem ter dia certo para receber. Muitos são pagos a 45 dias.
Para dar uma ideia da discrepância entre alguns dos colaboradores a recibo verde e pessoal dos quadros da RTP:
OPERADORES DE CÂMARA: 8 da RTP; 22 a recibo verde
OPERADORES DE AUDIO: 3 da RTP, 9 a recibo verde
OPERADORES DE VT DE EXTERIORES: 0 da RTP, 8 a recibos verdes
OPERADORES DE MOVING PICTURE: 0 da RTP, 14 a recibo verde (8 acima mencionados mais 6)
Nesta última semana, vários colaboradores a recibo verde foram contactados por uma empresa chamada Ibertelco para assinarem contrato por eles mas para continuar a trabalhar na RTP já que, segundo eles, a RTP queria sanar a situação laboral desses colaboradores.
E em vez de a RTP contratar directamente esses colaboradores, essa contratação seria feita em regime de Outsourcing.
O resto dos colaboradores a recibo que não foram contactados serão dispensados. (Pessoas que trabalham lá há mais de 4 anos).
A chefia da RTP Porto (na figura do sub-director Rui Neves ) ainda não falou a nenhum dos recibos rerdes sobre o que se está a passar, mas a Ibertelco garante que estas mudanças terão inicio do dia 1 de Julho.
Isto tudo é feito 2 meses antes destes colaboradores completarem 3 anos seguigos a recibos verdes (Alguns começaram a recibos, passaram para a Randstad e novamente a recibos).
Hoje:
O presidente da RTP garantiu que os postos de trabalho no Centro de Produção do Porto estão assegurados, mantendo, no entanto, a dispensa de freelancers, o que considera “um processo normal”. Almerindo Marques explicou que este procedimento é comum aos restantes operadores sempre que a produção é menor.
Esta declaração responde às preocupações manifestadas sexta-feira pelos funcionários da estação no Porto quanto “à recente e inesperada dispensa de algumas dezenas de trabalhadores a recibo verde que realizavam trabalho na área dos meios técnicos”, segundo comunicado emitido pela subcomissão de trabalhadores.
“Nenhum freelancer tem uma prestação de serviço regular [com a RTP] e alguns deles trabalham para outras estações de televisão”, justificou Almerindo Marques, adiantando: “Esta empresa cumpre a lei. O que não cumpre é os exageros dos direitos. Se as entidades em causa acham que têm direitos que não estão a ser respeitados têm os tribunais para reclamar.”
Luís Marques, administrador da RTP, acentuou que “a estrutura dos recursos humanos se mantém”, acrescentando que se pretende “torná-la mais eficiente.” “Não haverá redução do esforço do Porto, haverá, sim, mudanças”, salientou.
A RTP vai investir cerca de 5,8 milhões de euros, até 2008, em novos estúdios de informação e produção no Porto. A este investimento acresce o equipamento tecnológico ainda sem estimativa de verba.
- “TSF-Rádio Noticias” . Tem a classificação de rádio regional, mas cobre em FM o Norte e Centro do país, além de deter várias rádios locais no Sul, chegando a grande parte do território continental português. Possui uma razoável rede de correspondentes internacionais e é actualmente propriedade do grupo Controlinveste do qual fazem parte Diário de Notícias, 24 horas, Jornal de Notícias, O Jogo e Tal&Qual, as revistas Evasões, Volta ao Mundo, Notícias Magazine e Playstation 2.
José Milhazes, jornalista, trabalhou 16 anos como correspondente da TSF na Rússia. Há 4 anos descobriu que a empresa nunca lhe fizera os descontos para a Segurança Social.
Foi forçado a recorrer aos tribunais e luta pelos seus direitos à dois anos. Em Maio o Tribunal do Trabalho considerou a sua acção como “(…) provada e consequentemente de que entre as partes existiu um contrato de trabalho sem termo em que a Ré (TSF) pôs termo por despedimento ilícito(…)”.
A TSF recorreu da setença.
No seu blog José Milhazes escreve: ” (…) mas isso não me demove da convicção de que tenho razão.“
Resta saber o fundamento do recurso que por direito se concede. Qual será o argumento basilar e factual da Ré (TSF) que ficou por avaliar? Depois desta sentença decerto que outros correspondentes acordaram para a questão.
Nem tempo. Nem recursos. Estamos convictos.
Mil ases como o José!