COMUNICADO
A Comissão de Trabalhadores da RTP-SPT denuncia energicamente a escalada repressiva por parte da empresa Mandala contra os manipuladores dos bonecos do “Contra-Informação”. Tivemos conhecimento de ter sido despedido um desses trabalhadores, em retaliação contra o papel activo que vinha desempenhando na apresentação das reivindicações dele próprio e dos seus colegas. Os manipuladores dos bonecos do “Contra-Informação” apenas têm reclamado o que é de lei. A empresa responde dobrando a parada e agravando as ilegalidades que já cometia. Trata-se neste caso do despedimento sem justa causa, com uma simples carta de três linhas, de um trabalhador que desde há oito anos cumpria escrupulosamente as suas obrigações, com profissionalismo e competência.
A Comissão de Trabalhadores da RTP-SPT tem consciência de que, juridicamente, os colegas ao serviço da Mandala fazem parte de uma outra empresa. A nossa solidariedade para com eles é, de certo modo, uma solidariedade que só pode vir de fora. Mas isso não dispensa a Mandala de observar legalidade e decência no tratamento das pessoas em causa.
Quem compra e utiliza os produtos da Mandala tem tanto direito de lhe exigir decência e legalidade como os consumidores de equipamentos desportivos têm o direito de exigir aos fabricantes que se abstenham de explorar trabalho infantil no Bangladesh. A RTP, que apesar de todas as críticas merecidas não chega ao extremo de tratar os seus trabalhadores como a Mandala, tem o direito e o dever de perguntar em que condições laborais são produzidos os programas que emite. Os telespectadores têm o direito de interrogar-se sobre o significado de um humor que se quer crítico e irreverente, mas que é feito numa empresa com telhados de vidro. Os patrões e capatazes da Mandala mereceriam, eles próprios, um boneco no “Contra-Informação”.
Solidariedades que vêm de fora, já houve outras que vieram de bem mais longe. A Mandala fará mal em julgar que pode proceder como empresa de vão de escada, useira e vezeira no abuso laboral de precários, colocada fora da lei e acima da lei. A Comissão de Trabalhadores da RTP não quer faltar ao seu dever de solidariedade para com estes colegas que, noutros tempos e noutras circunstâncias, estariam certamente ao nosso lado na mesma empresa.
22/9/2005